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Categoria: ARTIGOS
O VIRA-LATA
O vira-lata é um cão como outro qualquer. Alguns podem não ter a beleza e nobreza de um cão de raça, mas isso lhes é compensado pela esperteza e simpatia. “Vira-lata” não é uma raça, mas sim o fruto de cruzamentos aleatórios entre cães sem raça. O termo SRD (sem raça definida) também é usado para designar os vira-latas. Já os mestiços são animais resultantes do cruzamento de raças diferentes, ou de um cão de raça com um SRD, daí não serem ‘vira-latas puros’.
O vira-lata não é um cão para ser comprado e sim adotado. A maioria tem pelagem curta e de cores variadas. Há sempre filhotes e cães adultos esperando adoção. Os adultos, quando adquiridos de entidades sérias, têm a vantagem de já estarem castrados e vacinados, o que reduz muito o maior custo com o cão, a fase de filhote. Além disso, o cão adulto já passou da fase de ser um pequeno destruidor. Pode aprender rapidamente ordens e se tornar um animal educado.
Muitos dizem que o vira-lata é mais resistente, mais esperto e astuto que outros cães. Realmente a maioria dos cães de rua sofrem uma seleção natural, onde só os mais resistentes da ninhada conseguem sobreviver. Porém, não há estatísticas científicas que comprovem que o animal adoeça menos que os cães de raça. Como a maioria dos vira-latas perambulam pelas ruas, sem dono e sem cuidados, não há como avaliar e ter estatísticas das doenças que mais acometem essa “raça”.
Quanto à esperteza, sem dúvidas é um cão bastante inteligente e aprende ordens com facilidade. Quem já não presenciou um vira-lata atravessando a rua pela faixa de pedestres? E ainda esperou o farol fechar para os carros!
Alguns vira-latas podem até se tornar ótimos cães de guarda, dando o alerta ao menor sinal de invasão.
Quando decidir ter um cão como animal de estimação, não exclua de suas opções o vira-lata. Existem inúmeros abrigos para animais com dezenas de cães esperando por um dono. Aos olhos de quem tem um vira-lata, ele é o cão mais esperto e bonito de todos.
O QUE É CIO?
O cio é a época de “namoro” da fêmea, pois fora desse período ela não aceita a cobertura do macho. Diferentes das fêmeas, os machos não apresentam cio e podem acasalar em qualquer época.
Consideramos que uma cadela está na puberdade quando ela tem seu primeiro cio. Ele ocorre entre 7 a 10 meses de idade, na maioria das raças.
Os machos podem detectar o odor das fêmeas no cio a uma grande distância. Um ferormônio é eliminado junto com a urina das cadelas nessa fase, e é ele que atrai os machos.
Quando no cio, a região genital externa das cadelas (vulva) começa a inchar e observa-se um sangramento de leve a moderado. Chamamos de primeiro dia do cio, o dia em que se observa o início do sangramento. Em média, o cio das cadelas dura de 15 a 16 dias.
O cio das cadelas manifesta-se a cada 6 meses, normalmente. Mas há cadelas cuja frequência varia a cada 5 ou 7 meses, o importante é que o intervalo seja constante.
Na primeira metade do cio, observa-se um sangramento leve que diminui ou desaparece totalmente em torno do 7º ou 8º dia. Nesse período, a cadela deixa-se cheirar pelo macho, mas não aceita que ele monte sobre ela. Na segunda metade do cio, apenas o sangramento é evidente, embora muitas cadelas ainda possam sangrar. Nessa fase, as cadelas permitem a monta e o acasalamento com o macho. O final do cio é notado pela diminuição evidente da região genital e quando a fêmea passa a rejeitar o macho.
Para evitar que a fêmea fique prenha não permitir que ela tenha contato com machos do 7º ao 15º dia (ou final) do cio.
Algumas cadelas não apresentam sangramento durante o cio. Nessas fêmeas, é muito mais difícil identificar o momento certo para o acasalamento. Para quem tem um casal de cães e não tem muita experiência, isso é um problema pois os acasalamentos indesejáveis poderão acontecer. Algumas pessoas, por não perceberem sangramento na fêmea, acham que seus animais nunca tiveram cio. Cadelas mais velhas podem apresentar cio seco.
As fêmeas têm cio até o final da vida. Não existe a “menopausa” em cadelas.
A castração é uma excelente opção para quem não quer que seu animal tenha crias. Uma vez castrada, a fêmea não terá o inconveniente do cio. O uso de anticoncepcionais não é um método totalmente seguro para a saúde do animal.
CUIDADOS COM O FILHOTE RECÉM-NASCIDO
Em cães e gatos, neonato é considerado um filhote desde o dia do nascimento até completar 15 dias de idade. O nascimento de neonatos vivos e viáveis está intimamente relacionado a fatores como a escolha de reprodutores saudáveis, antes do cruzamento desejado, cuidados com a fêmea durante a gestação, acompanhamento correto no momento do parto e observação clínica dos filhotes imediatamente após o parto e durante o período de amamentação.
Uma vez atingindo a idade gestacional adequada, o filhote já deve estar totalmente formado e pronto para ser liberado ao meio exterior, no momento do parto. Deve-se preparar o local onde os neonatos vão ficar antes mesmo da data provável do parto. O ambiente deve ser seguro, tranquilo, com temperatura ideal e que dê conforto tanto para a mãe como para os filhotes. Pode-se ter uma caixa maternidade para este fim.
O acompanhamento do parto é de suma importância para que os neonatos não sofram injúrias e consigam nascer bem.
Imediatamente após o nascimento eles devem ser massageados na região torácica para estimular a respiração e circulação, o que pode ser feito friccionando esta região, em sentido contrário ao pelo, com o auxílio de toalhas secas. Esta manobra também secará o neonato dos líquidos dos anexos placentários ainda existentes.
Deve-se verificar a presença de líquido nas cavidades oral e nasal e aspirar. Caso exista um neonato com dificuldade em respirar, ele deve ser levado o mais breve a clínica veterinária para retirada deste líquido bem como para uma oxigenioterapia. Após este procedimento, deve-se observar caso algum deles tenha defeitos ou alterações anatômicas visíveis. Agora eles estão prontos para o início do contato com a mãe e a primeira mamada.
O neonato deve ser colocado ao lado da mãe e conduzido ao teto para mamar. Observar sempre o comportamento da mãe em aceitar e cuidar dos neonatos ou não.
Caso a mãe não possa alimentar o filhote, seja por rejeição, falta de leite ou outra causa, eles devem ser aleitados artificialmente e mantidos em temperatura ideal. Para tal, a utilização de ambientes aquecidos e colchões térmicos são recomendáveis. Cuidado para não queimá-los.
Filhotes que choram e se isolam dos outros devem ser observados. Nesses casos eles podem estar com uma alimentação inadequada, com hipotermia ou com uma alteração sistêmica. Estes três fatores são os maiores responsáveis pela mortalidade neonatal em cãezinhos. Caso ocorra, procure auxílio de um veterinário.
É importante verificar se a mãe promove, com lambeduras na região perianal e genital, após a mamada, a estimulação para que o neonato urine e defeque. Caso isto não ocorra, deve-se estimulá-los passando nesta região um algodão umedecido com água morna.
A presença de sintomas como diarreia, desidratação, secreção ocular e ou nasal devem ser imediatamente comunicadas ao veterinário, pois os neonatos são muito susceptíveis a infecções virais, como herpevírus, bacterianas, na maioria dos casos por E. coli e parasitoses.
O herpevírus é adquirido durante a gestação, proveniente de uma mãe infectada. As infecções bacterianas são provenientes pelo leite ou contaminação do meio ambiente que eles vivem. As parasitoses podem ser adquiridas ainda em período fetal ou após o nascimento. As más formações congênitas ou hereditárias devem ser criteriosamente analisadas no que tange à viabilidade futura de vida do neonato.
Ao final deste período de quinze dias, os filhotes devem estar espertos, se movimentando, com os olhos abertos e crescendo dentro dos padrões normais.
Além do auxílio clínico do médico veterinário para orientar, diagnosticar e tratar alterações dos neonatos, é primordial que exista uma pessoa experiente, observadora e paciente para cuidar dos neonatos. Muitas ninhadas são perdidas por manejo inadequado dos filhotes.
NOÇÕES SOBRE ADESTRAMENTO
O adestramento dos cães deve ser iniciado no momento em que o filhote chega em casa. O cãozinho precisa aprender o significado de comandos como “Não”, “Muito Bem”, “Aqui”, etc. Isso evitará que ele tenha problemas comportamentais na fase adulta, como a agressividade. Com o adestramento, o cão vai entender que ‘manda’ e isso é importante para se estabelecer uma hierarquia.
Você pode optar pela ajuda de um adestrador para orientá-lo. Procure ter referências sobre o profissional que irá contratar. Há pessoas não qualificadas que ensinam os animais com métodos violentos, o que será desastroso para o caráter do cão. O adestrador deve ter noções básicas sobre o estudo do comportamento dos cães. É importante que depois de algumas aulas, você comece a acompanhar o adestramento, ou seu cão apenas obedecerá o adestrador. Existem bons livros que ensinam você a educar o filhote, compreender a sua linguagem e até adestrá-lo. Indicamos alguns no final deste artigo.
Como erros comuns no adestramento do animal, seja feito por você ou um profissional podemos citar:
Bater no cão;
Prendê-lo a maior parte do tempo, seja na corrente ou canil, a fim de que ele se torne um animal bravo ou um bom cão de guarda;
Deixá-lo sozinho o dia todo e longe do contato com pessoas da casa;
Provocar o animal.
Esses métodos fará com que seu animal desenvolva agressividade desnecessária e se torne um cão incontrolável, trazendo perigo para os próprios donos.
Não permita que o cão rosne ou avance nas pessoas. Repreenda-o usando a palavra “NÃO” e segurando-o firmemente pela pele da parte de atrás do pescoço. Jamais demonstre medo ao animal. O cão deve compreender bem a hierarquia da casa, saber quem é que manda, e ser submisso aos donos, respeitando-os.
Mas como escolher um bom adestrador? Infelizmente, no Brasil, a profissão de adestrador não é regulamentada, ou seja, qualquer indivíduo pode se intitular adestrador de cães. Existem excelentes profissionais, no entanto, há aqueles que, sem experiência alguma ou conhecimento mínimo sobre comportamento animal, tentam “ensinar” os cães de maneira violenta. Imagine um filhote sendo quase asfixiado pelo enforcador/coleira ou recebendo tapas para aprender os comandos. O resultado disso é um cão adulto medroso, assustado, que pode se tornar até violento. Antes que lhe batam, ele ataca…
Tenha muito cuidado ao escolher o adestrador do seu cão. Algumas dicas importantes:
Bater é um estímulo negativo e seu cão obedecerá por medo. Recompensar é um estímulo altamente positivo e seu cão obedecerá por prazer. Na hora de escolher o profissional, procure conversar e saber sobre a experiência dele e os métodos que usa. Certamente você saberá diferenciar um “entendido” de um bom profissional.
Seu cão deve demonstrar afeição pelo adestrador. Se o cão é independente, mas demonstra medo do profissional, há grandes chances dele estar sendo maltratado durante as aulas.
Acompanhe sempre que possível as aulas de adestramento. De nada adianta seu cão obedecer somente ao adestrador. O profissional consciente ensina o cão e o dono. Sim, o dono também precisará ser “adestrado” para saber dar ordens ao seu cão.
As escolas de adestramento são uma boa opção. Nesse caso, grupos de animais, juntamente com seus donos, participam de aulas coletivas ou individuais. A vantagem do adestramento coletivo é que o cão aprende a conviver com outros animais (socialização).
Violência durante o adestramento poderá estragar irreversivelmente o temperamento do cão. Não aceite esse tipo de método durante as aulas do seu animal.
Existem muitos métodos de adestramento modernos que se baseiam em estudo do comportamento dos cães. O uso do “clicker” (estímulo auditivo acompanhado de recompensa pelos acertos), tem excelentes resultados.
Lembre-se que o adestramento é feito a três: você, o adestrador e o cão. Deve haver um entrosamento entre o dono e o profissional para que o resultado seja positivo. Se você não for participativo, não culpe o adestrador se o cão não quiser obedecer você.
Adestramento de ataque só é feito em casos especiais, quando necessário, por profissionais bastante experientes. O cão de guarda já possui um instinto natural de defesa do seu território. Não queira tornar seu cão uma “máquina mortífera”. A “máquina” pode causar acidentes graves.
Você pode tentar adestrar seu cão sozinho, mas desde que bem orientado. Não siga os conselhos de leigos no assunto. Manter o cão preso para torná-lo um bom cão de guarda é um grande erro, assim como bater nele com jornal ou esfregar seu focinho nos dejetos, só o assustarão.
CUIDADO, NEM TODAS AS VACINAS SÃO IGUAIS
A vacinação é um dos cuidados mais importantes que devemos ter com o nosso cão ou gato. Através da vacina, o sistema de defesa do animal produzem determinados anticorpos, rapidamente. A vacina contém vírus mortos ou inativados, que não causam a doença, mas ensinam o organismo a se defender dela. A “memória” do sistema imunológico é relativamente curta nos animais.
Assim, há necessidade de “relembrar” periodicamente esse sistema de defesa como e quais anticorpos ele deve produzir. É por isso que precisamos revacinar cães e gatos todo ano. Sem a revacinação, o animal volta a ficar desprotegido.
Todo esse processo é muito importante para a manutenção da saúde de cães e gatos, daí a necessidade de se utilizar vacinas de qualidade. Algumas doenças podem ser transmitidas dos animais para o homem (zoonoses). Vacinar é cuidar da saúde do animal de estimação e das pessoas que convivem com ele.
Você deve ter a preocupação de saber a procedência da vacina que está sendo aplicada em seu animal. Uma vacina só é considerada “boa” se tiver como origem um laboratório conceituado, que invista em pesquisas e tecnologia. As chamadas “vacinas éticas” (importadas) são produzidas por esses laboratórios e vendidas apenas para profissionais veterinários que têm o conhecimento de como armazenar o produto e em que condições aplicá-lo. A eficácia desses produtos é comprovada.
As chamadas “vacinas não éticas”, podem ser vendidas para lojas, pet shop e casa de ração. Esse nome se dá pelo fato dela não ser vendida apenas para profissionais. Como não há controle de onde essa vacina vai parar após deixar o laboratório que a produziu, elas podem ser aplicadas até mesmo por vendedores ou funcionários de pet shop e casa de ração.
O problema está em como saber o caminho percorrido por essa vacina antes de ser aplicada em seu animal? Será que ela foi mantida o tempo todo na temperatura ideal? Será que o cão estava em condições de saúde ideais para receber a imunização naquele momento? A eficácia desse tipo de vacinação, feita sem a supervisão de um veterinário, é discutível. Não há garantias de que seu animal estará protegido. E você arriscaria a saúde do seu amigão?
Na hora de vacinar seu cão ou gato, não aceite qualquer vacina e exija a presença de um médico veterinário para aplicá-la. Converse com o veterinário e procure o melhor para o seu animal. Vale a pena investir na saúde dele e de sua família.
MIÍASE OU BICHEIRA
Existem larvas de moscas que infestam tecidos mortos e outras que se multiplicam em tecidos vivos. A proliferação de larvas de mosca em tecidos vivos é chamada de miíase ou bicheira. Estas moscas são conhecidas como “varejeiras” (Cochliomyia hominivorax).
Quando ocorre um ferimento no animal ou um corte profundo, devemos tratar a ferida com antissépticos e antibióticos tópicos. Mas é importante proteger o local contra as moscas. Ao pousarem sobre a ferida, elas depositam dezenas de ovos que irão eclodir, transformando-se em larvas que se alimentarão de tecido vivo.
As larvas formam galerias sob a pele, causando lesões e um incômodo muito grande ao animal. As lesões podem ser tão profundas que conseguem atravessar a musculatura do animal, indo atingir órgãos vizinhos (miíase cavitária).
As larvas de moscas podem se proliferar também em tecidos não lesados. Quando a pele apresenta dermatites que mantenham o local sempre úmido, ou naqueles animais sem condições de higiene, cujos pelos estejam sempre molhados por urina, a “bicheira” pode aparecer.
O local acometido deve ser lavado com soluções antissépticas, e o veterinário deve examinar o local à procura de larvas em tecidos mais profundos. Produtos repelentes devem ser aplicados em todos os ferimentos abertos, em regiões onde é frequente a ocorrência de moscas varejeiras.
Nos casos de miíase ou bicheira, leve seu animal a uma clínica veterinária de sua confiança para retirada destas larvas e para medicação do animal.
MEU PET NÃO COME RAÇÃO, O QUE EU FAÇO?
Muitos proprietários têm dificuldade de alimentar seus animais. Alegam que eles preferem passar fome a comer ração. A seguir, algumas dicas importantes para que seu amigão tenha uma alimentação mais saudável. Essas dicas também se aplicam a gatos, embora estes aceitem muito mais facilmente a ração que os cães.
Mesmo que seu cão, ao primeiro contato com a ração pareça detestá-la, não é por isso que você vai deixar que ele coma só o que quer. É importante, em primeiro lugar, que o dono se conscientize que ração é muito melhor do que comida caseira.
Filhotes deverão receber a ração (umedecida ou seca) como primeiro alimento após o desmame. Não deixe que ele experimente uma refeição com carne, do contrário ele rejeitará a ração.
Cães adultos acostumados apenas com comida caseira são bem resistentes à mudança alimentar. Substitua a comida caseira por ração aos poucos até ele se acostumar a comer apenas a ração.
“Meu cachorro não come nada o dia todo se eu tentar deixar só ração”, reclamam os donos. Seu cão tem uma grande resistência e pode ficar um ou dois dias sem se alimentar. Nesse tempo de jejum, provavelmente ele estará “pensando”: “Daqui a pouco meu dono não resiste e vem com um suculento pedaço de bife. Vou esperar”. E não é isso mesmo que acontece? Sua resistência tem que ser maior do que a esperteza do seu cão!!!
“Mas meu cão não gostou do sabor da ração. Coitado, vou obrigá-lo a comer algo que ele não gosta?”. Claro que não! É por esse motivo que as empresas fabricantes de ração oferecem opções de sabor. Se você insistir na ração, mas ele não quiser, tente mudar o sabor. A rações possuem, além de carne em sua composição, ingredientes palatabilizantes, que são atrativos para os cães. E você pode misturar ração em lata com a ração seca para tornar a refeição mais apetitosa para o animal.
Cadelas gestantes não devem sofrer o estresse de uma mudança alimentar nessa fase, no entanto, durante a amamentação dos filhotes elas estarão famintas. Esta é uma ótima ocasião para introduzir a ração na dieta dela. Aos poucos reduza a comida caseira até que ela aceite apenas ração.
“Meu cão é velhinho, quase não tem dentes e dou a ele carne crua”. Nesse caso seu cão terá problemas, pois a carne é pobre em cálcio. Um animal que receba só esse tipo de alimento, ainda mais sendo idoso, poderá apresentar fragilidade óssea. Você pode optar por rações em lata que são balanceadas e não exigem tanto a mastigação como as rações secas. Se os dentes dele estiverem bem, o correto é dar uma ração Sênior.
Nunca alimente seu cão ou gato com carne crua. Ele pode contrair toxoplasmose e outras doenças!
Para os cães mais resistentes você poderá misturar ração seca com ração em lata. Seguindo as instruções do fabricante sobre a quantidade de cada um desses ingredientes, você terá uma alimentação saudável e balanceada para seu amigão.
Caso você esgote todas as tentativas, e tenha que admitir que seu cachorro venceu, converse com o veterinário para que ele oriente qual a melhor forma de alimentar seu animal em substituição à ração.
MEDO EXCESSIVO DE BARULHOS
Existem cães que têm medo excessivo de determinados ruídos. Um ruído sem importância para nós pode ser ensurdecedor para eles já que eles têm uma capacidade auditiva quase quatro vezes maior que a nossa. Os ruídos que costumam causar pânico nos animais são fogos de artifício, máquinas de tosa, secadores, trovões, tiros dentre outros.
Os cães pulam no colo do dono, tremem excessivamente, o coração dispara e eles tentam se esconder em lugares pouco comuns, permanecendo lá sem comer, beber ou sair para fazer suas necessidades. Alguns donos podem achar isso até engraçado, porém, se o animal tiver alguma alteração cardíaca severa, a taquicardia (aceleramento do coração) que o medo excessivo provoca poderá causar problemas à saúde do animal, principalmente se ele for idoso.
Se fobia a ruídos é o problema do seu amigão e você se preocupa com a reação dele nos dias de fogos ou tempestades, veja algumas dicas:
Inicialmente devemos fazer um trabalho de dessensibilização. Isso pode ser feito com gravações que contenha os sons que deixam o animal paralisado de medo. Coloque o som muito baixo, quase imperceptível, e motivar o cão a repetir qualquer rotina que ele goste muito, como jogar bolinha, comer biscoito, etc. No início é preciso fazer estes exercícios num local e horário bastante calmos e neutros. Só devemos passar adiante quando o cão já estiver suportando o barulho que o incomoda, num nível normal.
É preciso ter muito cuidado para não dar carinho e atenção ao animal quando ele estiver com medo para não recompensá-lo, involuntariamente, por ter medo. Nada de tentar acalmar o cão ou segurá-lo no colo. Em último caso é preciso deixar um local preparado para que o animal possa se esconder e sentir seguro, como numa toca.
Em alguns casos é indicado doses diárias de antidepressivos nos dias em que se suspeita que haverá ruídos que causem pânico ao cão. A medicação tem que ser dada antes dele começar a ficar apavorado e pode evitar crises médias ou leves de pânico. Para casos graves de fobias por sons, como fogos de artifício, tempestades, trovões ou armas de fogo, outras drogas podem ser utilizadas, sempre a critério e sob prescrição do veterinário.
Este medo excessivo de ruídos é um dos problemas mais difíceis para serem tratados em comportamento canino. De qualquer forma vale a pena tentar.
Nos cães que se estressam com o barulho de máquinas de tosa e secadores, utilize chumaços de algodão nos ouvidos do animal, para diminuir o ruído.
Procure assegurar-se que o cão não possa fugir em momentos de grande manifestação de medo. É comum os animais se desesperarem e saírem em disparado em direção à rua. Prenda o cão em dias de comemorações com fogos.
Consulte o médico veterinário de sua confiança. Caso ele julgue conveniente, medicará o seu animal para enfrentar o medo ou encaminhará a um especialista em comportamento para tratar seu cão. Associando as medicações a uma mudança de postura do dono em relação ao cão, há chances dele superar a fobia.
MANCHAS DE LÁGRIMA
As manchas na face causadas pelas lágrimas são comum em cães de pelagem branca e ou raças miniatura. Algumas raças de gatos, como os persas, também podem ser acometidas. As manchas, de coloração amarronzada, comprometem a estética e são um grande problema para os criadores, principalmente aqueles que participam de exposições.
Este derramamento de lágrimas pela face do animal é denominado de epífora. Existem várias causas atribuídas a esse problema. As lágrimas, produzidas pelas glândulas lacrimais, são responsáveis pela lubrificação dos olhos. A drenagem das lágrimas é feita pelo ducto lacrimal, uma “cânula” responsável por conduzir o excesso de lágrimas dos olhos para o interior do focinho. Se a drenagem da lágrima pelo ducto for insuficiente, ela escorrerá pela face do animal. Uma vez em contato com os pelos, a lágrima sofre a ação de bactérias existentes na pele e pelagem. Esse processo resulta na alteração da coloração dos pelos que se tornam avermelhados indo até o marrom escuro.
Em cães braquicefálicos (“cara achatada”) como Shih-Tzu, Pugs, Bulldog, Pequineses e gatos Persas, o derramamento das lágrimas está associado à anatomia desses animais. Apresentando globo ocular bastante saliente, isso compromete a drenagem da lágrima pois, dentre outros fatores, a entrada do ducto da lágrima fica comprida pela posição dos olhos. Assim, a drenagem é insuficiente e a lágrima é derramada para fora do olho.
Poodle, Maltês e alguns Terriers, pode ocorrer o mesmo. Associado a isso, o excesso de pelos próximos aos olhos podem causar irritação e aumento na produção de lágrima. É aconselhável retirar os pelos que possam estar irritando os olhos dos animais.
Dentre outros fatores que podem causar o derramamento de lágrima podemos citar obstrução do canal lacrimal, deformações na pálpebra (cílios voltados para dentro dos olhos causando irritação), inflamação no ducto da lágrima, conjuntivites.
Como tratamento, algumas das causas podem ser resolvidas como a retirada dos pelos em volta dos olhos, correção cirúrgica de pálpebras com cílios voltados para dentro (entrópio), tratamento da conjuntivite e desobstrução do canal da lágrima. Quando o problema é apenas anatômico, como nas raças citadas, excluídas outras possibilidades, pouco pode ser feito a não ser a limpeza diária dos olhos e da pelagem amarronzada, com a remoção de crostas que podem se formar no local. Sem isso, pode ocorrer inflamação da pele nessas áreas escurecidas.
Existem produtos específicos que podem ser usados para minimizar o escurecimento dos pelos. Devem ser usados com cuidado para não irritar os olhos dos animais. O uso de antibióticos pode resolver temporariamente o problema, pois altera a composição da lágrima. No entanto, o efeito é apenas passageiro.
INTOXICAÇÃO POR CHUMBINHO
Intoxicações em animais de estimação são bastante comuns, sejam elas acidentais ou criminosas. O veneno mais frequente envolvido nesses casos é o “chumbinho”, um poderoso tóxico que é comercializado ilegalmente. Ele também é conhecido em algumas regiões como “mil gatos”, por seu uso no combate aos roedores. O “chumbinho” leva esse nome pela sua cor (cinza escuro) e formato (granulado), não tendo nenhuma relação com o metal chumbo.
O “chumbinho” possui o mais tóxico dos venenos de sua categoria (carbamatos), porém, sua eficácia no combate às colônias de ratos fica a desejar. Isso se deve ao fato que, na hierarquia dos roedores, quem come primeiro são os ratos mais idosos. Os outros, vendo os mais velhos morrerem, não se aproximam mais das iscas envenenadas.
A venda descontrolada e a falta de conhecimento sobre o poder tóxico do produto causa envenenamento em animais de estimação, adultos e crianças. Muitas pessoas e animais já morreram por causa do “chumbinho”, que pode ser ingerido ou absorvido pela pele quando diluído em água. Ter um produto desses em casa é extremamente perigoso já que ele não tem cheiro ou sabor.
Embora a substância principal seja o aldicarb, geralmente o “chumbinho” está associado a outros inseticidas e ou raticidas para potencializar sua ação.
O seu efeito em animais é bem rápido, aparecendo 5 a 10 minutos após a ingestão. Os sinais irão depender do tamanho do animal e da quantidade ingerida. Os sinais de intoxicação podem ser salivação, vômitos, diarreia, convulsão, inquietação ou prostração, incoordenação, tremores, dispneia, hemorragia oral ou nasal, fraqueza, pupilas contraídas dentre outros. Além do sistema nervoso, o veneno causa lesões nos pulmões, fígado e rins.
Um ou mais sintomas, associados ao histórico de uso do “chumbinho” no ambiente é um alerta para levar o animal a uma clínica veterinária imediatamente. O fato do cão ou gato ter ingerido ou lambido um rato morto ou até mesmo o vômito de outro animal envenenado já é um alerta para a possibilidade de intoxicação.
Quem coloca propositadamente iscas com “chumbinho” (ou qualquer outro veneno) para matar o cão ou gato do vizinho não sabe que pode ser preso, pois infringe a Lei Ambiental! Além dele próprio estar correndo riscos pela manipulação e estocagem do produto.
Além do “chumbinho”, outros raticidas são utilizados e comercializados livremente. É o caso dos anticoagulantes, que causam hemorragias generalizadas e morte.
É crime comercializar o produto, e quem compra também está cometendo uma contravenção. Contra os ratos, evite acumular lixo e pense em outras alternativas ao uso de venenos, como o controle biológico. Crie 1 ou 2 gatos castrados (do contrário eles irão fugir!) em sua propriedade e você ficará livre dos roedores!
Nos casos de intoxicação por Chumbinho, leve o seu animal o mais urgente o possível a clínica. Não tente fazer nada em casa. Não dê leite, óleo de cozinha e nada que “curiosos” te indicarem. Somente o médico veterinário poderá salvar o seu animal.