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Categoria: ARTIGOS
RAIVA
A raiva é uma doença contagiosa causada por um vírus que pode afetar os animais (mamíferos) e o homem. A transmissão se dá através do contato com a saliva de um animal doente, principalmente pela mordedura. É preciso compreender que nem toda mordida de cão ou gato transmite a raiva. É necessário que o animal seja portador do vírus para que haja a transmissão.
Na natureza, o morcego hematófago (que se alimenta de sangue) é um dos mais importantes transmissores da raiva para outras espécies animais e para o homem.
Como principais sinais clínicos da raiva podemos citar mudança de comportamento (o animal passa a se esconder ou agir diferente do usual), agressividade, salivação e paralisia. É importante salientar que nem todo cão ou gato que saliva está com raiva. No caso dessa doença, ocorre paralisia dos músculos faciais, o que impede a deglutição da saliva, daí a impressão do animal estar babando. Animais intoxicados por alguns tipos de venenos ou muito estressados também podem salivar abundantemente, mas sem qualquer relação com a raiva.
Da mesma forma, nem todo animal agressivo possui a raiva. Na maioria das vezes, a agressividade como único sintoma é um problema apenas.
Os sinais clínicos nos humanos são bem parecidos com os que ocorrem em animais.
A raiva é uma doença incurável, portanto, deve haver um controle rigoroso da vacinação dos animais domésticos e do campo. A vacina é a única maneira de controlar a doença.
Se uma pessoa é mordida ou arranhada por um cão ou gato que não esteja vacinado, ou de origem desconhecida (cão ou gato de rua), esse animal deve ser capturado e permanecer em observação por 10 dias.
Caso ele não apresente sinais clínicos da doença durante o período de observação, não será necessário nenhum procedimento ou tratamento para a vítima. Porém, se o animal morrer (mesmo sem ter apresentado sinais da doença), desaparecer ou não puder ser capturado para cumprir o período de observação, o atendimento médico deve ser feito prontamente para avaliação dos riscos, pois a doença ainda é fatal em 100% dos casos confirmados da doença no homem.
É importante salientar que, uma vez manifestados os sintomas de raiva no humano, o tratamento é ineficaz, e levará a pessoa à morte. Em caso de mordidas e arranhões, O tratamento curativo não está disponível para animais. No caso de um animal doméstico não vacinado ser mordido por um outro animal portador do vírus da raiva, ele certamente adoecerá e morrerá num prazo de 10 dias.
As campanhas de vacinação são importantíssimas no controle da raiva. Leve seu animal a uma clínica veterinária de confiança anualmente para a vacinação antirrábica.
Além dos cães, gatos e morcegos, que apresentam alto risco de transmissão da raiva, outros animais também podem ser transmissores, como equinos, bovinos, caprinos e ovinos, que podem ser vacinados e apresentam um grau médio de transmissão da raiva para humanos.
Pequenos roedores como hamsters, camundongos, ratos, coelhos e outros, podem transmitir a doença, mas eles apresentam um risco baixo de transmissão. Não existe vacina para esses animais. Já os ferrets devem ser vacinados contra a raiva anualmente com a mesma vacina utilizada para cães e gatos.
De maneira geral, diante de uma caso de mordedura ou arranhadura por qualquer animal, a primeira providência a ser tomada, e altamente eficaz, é lavar o ferimento com água e sabão. Isso dificulta a penetração do vírus nos tecidos mais profundos, impedindo que ele atinja as terminações nervosas por onde se propaga.
Após isso, capturar o animal, se possível, e procurar um posto de saúde. O médico, com a ajuda do veterinário, irá avaliar o risco que o animal agressor apresenta e se é necessário fazer o tratamento antirrábico no paciente.
No passado, convencionou-se chamar agosto como “o mês do cachorro louco”, porque nessa época, ou seja, época de mudança de estação primavera/verão, ocorriam os cios das cadelas, havendo assim maior aglomeração dos animais para o acasalamento, e consequentes motivos para agressões entre os cães e transmissão da raiva. Independente desse fato, a raiva pode ocorrer em qualquer época do ano. Seu animal deve estar sempre com a vacinação em dia.
QUALQUER CRIANÇA PODE TER UM ANIMAL DE ESTIMAÇÃO EM CASA?
Toda criança, salvo raras exceções, já pediu para os pais um animalzinho de estimação. Os mais cotados são os cães e gatos que, além de muito brincalhões, permitem o contato físico, diferente das aves de gaiola, peixes e outros. Muitos psicólogos recomendam um animal de estimação para crianças sozinhas ou com problemas de timidez. O animal também pode despertar o senso de responsabilidade na criança. Mas, será que qualquer criança pode ter um animal de estimação em casa?
Crianças muito novas (abaixo de 4 anos de idade) e filhotes de cães ou gatos não são uma boa união. Os pequenos pegam os animais de maneira desajeitada, machucando os filhotes. Elas também não têm noção que o animal sente dor e, ingenuamente, tratam o animalzinho como um brinquedo. Por esse motivo, são comuns as fraturas ou luxações de membros nos filhotes cujos donos são crianças pequenas.
O filhote, por sua vez, pode reagir mordendo ou arranhando diante de uma brincadeira mais violenta por parte da criança. Em alguns países, há pesquisas que mostram altos índices de mordedura em crianças pequenas pelo cachorro da casa. Na grande maioria das vezes, o cão foi machucado pela criança.
Peixinhos, hamsters ou um pássaro são mais indicados para crianças nessa faixa de idade. Ela poderá ajudar a alimentar e limpar o ambiente do animalzinho, sem um contato físico tão próximo, quando um dos dois pode sair machucado.
Crianças a partir de 5 anos de idade já estão aptas a cuidar de um animalzinho, porém, elas devem ser orientadas que o animal não é um mero brinquedo e que deverá ser cuidado e tratado diariamente. Se o animal for um presente para a criança, deve-se optar por raças de cães de pequeno ou médio porte. Lembre-se que um filhote alcança praticamente o tamanho adulto em 6 meses. Isso significa que raças maiores poderão machucar crianças pequenas nas brincadeiras e será impossível para elas conduzirem seus cães nos passeios.
Um rigoroso controle de verminoses deve ser instituído para que o cão ou gato não transmita vermes às crianças. Elas devem ser orientadas a não dormirem com seus animais na cama e a lavarem as mãos após brincarem com seus cães ou gatos.
Quando as condições não são favoráveis para se ter um cão ou gato em casa, deve-se convencer a criança a optar por uma outra espécie. No caso de apartamentos pequenos, condomínios que não permitam cachorros, crianças extremamente agressivas ou hiperativas, o animal pode se tornar um problema. E será muito mais traumatizante para a criança ser separada do seu animal do que a frustração de não tê-lo ganho.
PSEUDOCIESE OU GESTAÇÃO PSICOLÓGICA
As alterações hormonais que ocorrem logo após o cio podem fazer com que cadelas e gatas tenham comportamento e sinais clínicos de prenhes, sem sequer terem acasalado. Elas se aninham, choram, as tetas aumentam de tamanho e adotam desde objetos como chinelos até filhotes de outras espécies, como se fossem suas crias.
A pseudociese pode trazer problemas para a cadela quando a produção de leite for muito grande, ocasionando inflamação nas tetas, o que chamamos de mastite (ou mamite). Muitas podem uivar e chorar, parar de comer, cavar o chão e ter comportamentos que o dono não consegue compreender.
Ela ocorre em torno de 30 dias após o cio. Tem uma duração de 1 mês e deve ser tratada quando causa problemas comportamentais mais sérios ou produção excessiva de leite.
Sabe-se que cadelas que tem pseudociese são candidatas a tumores mamários, normalmente benignos, a partir de 7 anos de idade.
A castração resolve o problema de gestações psicológicas repetidas e é um método indicado para evitar outras doenças na fêmea.
PROFILAXIA BUCAL
Tártaro ou cálculo dentário é um dos sintomas da doença periodontal. Ela se inicia com o acúmulo de placa, onde as bactérias vão se organizando e produzindo toxinas irritantes que causam gengivite.
Com o calcificação dessa placa, mais bactérias se aderem e começam a afetar os tecidos de suporte do dente, como o osso alveolar. Além de o animal correr o risco de perder esses dentes afetados pela doença periodontal, o local da lesão serve como fonte de contaminação para o organismo, podendo atingir órgãos vitais como coração, fígado e rins.
Esta doença periodontal não tem cura, mas pode ser controlada. O primeiro passo após a instalação da doença é o tratamento periodontal, que é diferente de uma simples “limpeza de tártaro”. A limpeza de tártaro é feita com o animal acordado ou sedado, é muito mais rápida, mas é insuficiente. O principal problema na doença periodontal é a parte do dente que fica “escondida” pela gengiva, local que só se consegue acessar com o animal sob efeito de anestesia geral.
Para um tratamento realmente eficiente, o animal deve ser submetido à anestesia geral. A partir desse momento, o cálculo é removido com um aparelho de ultrassom (tanto acima quanto abaixo da gengiva) e, muitas vezes, é necessário fazer outros procedimentos, como extrações. Após o uso do ultrassom é utilizado o jato de bicarbonato para retirar as partículas de tártaro que ainda existem nos dentes. Por último, os dentes são polidos com motor de baixa rotação, com uma pasta especial. Esse procedimento deixa os dentes mais lisos, diminuindo o acúmulo de placa.
Um questionamento frequente dos proprietários é sobre o risco da anestesia. Hoje em dia, com os recursos disponíveis, os riscos anestésicos são muito pequenos. O animal é entubado e recebe anestesia inalatória, com drogas que oferecem grande segurança. Durante todo o procedimento são monitoradas as funções vitais do animal, como pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória. É necessário uma consulta do paciente e exame de risco cirúrgico prévio.
Estão disponíveis no mercado ossinhos artificiais, biscoitos e até rações especiais que ajudam a prevenir o acúmulo de placa bacteriana, porém, o melhor método é a escovação dos dentes. Existem dentifrícios de uso veterinário com sabores (carne, frango e outros) que facilitam o condicionamento dos animais. São recomendadas visitas anuais a um veterinário para a realização de profilaxias.
POR QUE A VACINA FALHOU?
A vacinação é a melhor forma de proteger os animais de doenças virais. No entanto, mesmo vacinados, alguns poucos cães ou gatos adoecem.
Vários fatores influenciam na eficácia da vacina. Ela precisa ser aplicada por veterinários, ser bem conservada e o animal estar em boas condições de saúde para recebê-la. As falhas vacinais podem estar relacionadas ao organismo ou a vacina.
O efeito bloqueador dos anticorpos maternos é uma das maiores causas de falha vacinal. Os anticorpos recebidos pelos filhotes, via transplacentária ou via colostro, podem neutralizar os antígenos vacinais, impedindo com que o filhote desenvolva defesas suficientes para proteger-se. A idade ideal para se iniciar um programa de vacinação é variável, pois depende da quantidade de anticorpos recebida pela mãe e pelo nível de desafio do ambiente em que o filhote se encontra.
Em uma população, nem todos respondem da mesma forma à uma vacinação. Uma pequena parte dela, independentemente de ter recebido um esquema de vacinação adequado, não produzirá uma resposta imune eficaz. Da mesma forma, outros 5% da população produzirá uma excelente resposta e a grande maioria da população, cerca de 90%, produzirá uma resposta imune satisfatória. A imunossupressão adquirida é, na maioria das vezes, desencadeada pelo uso de drogas imunossupressoras como corticoides e quimioterápicos. Estes medicamentos só interferem na resposta vacinal se estiverem sendo usados em altas doses e por um longo período de tempo.
Animais que estão incubando qualquer enfermidade não promovem uma resposta imune ideal à vacinação. Aqueles que estejam apresentando sinais clínicos não devem ser vacinados. O ideal é esperar que o animal se restabeleça para ser vacinado.
Dentre outros fatores individuais que podem levar à uma falha vacinal podemos citar a presença de endoparasitos, animal jovem demais ou muito idoso, cio e gestação diminuem a resposta do organismo à vacina, má nutrição e estresse
Outro quesito importante é a conservação da vacina. Temperaturas mais altas ou mais baixas que a indicada podem influenciar na eficácia do produto, principalmente naqueles que possuem vírus vivo modificado. Os antígenos mais prejudicados são aqueles provenientes de bactérias ou vírus mortos.
Em relação ao manuseio, nunca se deve misturar duas vacinas diferentes na mesma seringa, a não ser que exista a indicação na bula do produto, pois é necessário que o laboratório fabricante tenha testes comprovando que a aplicação em conjunto não vai interferir na eficácia dos produtos.
Outro ponto que pode influenciar na eficácia da vacinação é a qualidade da vacina. A massa antigênica utilizada (quantidade de vírus ou bactérias), a qualidade do adjuvante de imunidade (adicionado à vacina para estimular a resposta imune), a cepa vacinal (tipo de vírus e bactérias) e a atenuação das cepas (técnica para neutralizar os vírus e bactérias usados nas vacinas).
Para que a vacinação seja eficaz, diminua os riscos de falha levando seu cão ao veterinário, que é a pessoa mais capacitada para vacinar o animal.
PETISCO PODE FAZER MAL PARA O ANIMAL?
Existe uma infinidade de petiscos para cães e gatos nas lojas de animais. Nacionais ou importados, vão desde o chocolate (apenas o sabor de chocolate), refrigerante, biscoitos, ossinhos coloridos até os salgadinhos.
Quando o petisco é feito para animais ele deve conter baixos teores de gordura e açúcares. Os cães e gatos podem toleram esses componentes, mas se o petisco for oferecido em excesso, poderá causar obesidade. Em exagero, o petisco também poderá ocasionar diarreia nos animais.
No caso dos ossinhos de couro, eles podem e devem ser dados aos cães para evitar o tártaro. Prefira os ossinhos brancos, sem corante.
Os “bifinhos” são feitos de carne seca e salgada. Devem ser dados apenas como recompensa e evitados em animais acima de 7 anos pelo alto teor de sal.
O grande porém dos petiscos é quando os animais acostumam-se com o paladar agradável que eles possuem e deixam de comer a ração. Isso levará ao desequilíbrio nutricional, principalmente nos filhotes, o que afetará o crescimento. Não considere o petisco um complemento da alimentação, mas apenas um agrado.
Se não for possível resistir à tentação de dar um petisco ao seu amigão, opte por um “tira gosto” canino ou felino com pouco corante, baixo teor de sal e gordura. Não ofereça todos os dias para que ele não pare de comer a ração.
PASSEAR SEM PUXAR A GUIA
As ruas e os parques são realmente uma tentação para os cães. Por isso, ensinar seu cão a não puxar a guia à frente de tantas distrações pode ser bem difícil.
Se pretende ensiná-lo a não puxar a guia, comece a ensinar em casa. Trabalhar com o cão em lugares sem distrações no início do treinamento vai ajudá-lo a se concentrar no exercício, o que é essencial para um bom aprendizado. Após seu cão ter entendido que não deve puxar a guia dentro de sua casa, passe a treinar em seu quintal. Em seguida, treine em ruas calmas e assim por diante.
Tudo que seu cão vai precisar para aprender a passear sem puxar é de uma guia e uma coleira simples, leves e resistentes. Se você possui um cão de porte grande ou gigante e tem dificuldade de controlá-lo, a opção mais eficiente e humana são os headcollars, que são coleiras que envolvem a cabeça e o focinho do cão, o que torna mais fácil sua condução sem machucar e sem enforcar o cão.
O uso de enforcadores não é indicado pois o uso indevido deste produto pode machucar seriamente o cão. Se realmente pretende usar um enforcador para ensinar seu cão a parar de puxar a guia, procure orientação de um profissional e prefira os enforcadores de corda, couro ou nylon, pois esses são mais confortáveis e seguros para seu cão, além de mais eficientes no treinamento.
As guias devem ser leves, resistentes e com um mosquetão que gire com facilidade, evitando assim sua torção. O comprimento da guia deve permitir uma boa movimentação para o cão, sem que fique tensionada. O comprimento mais utilizado é de 1,5 m.
O maior segredo para o sucesso é a paciência e a periodicidade.
Existem duas maneiras bem eficazes para ensinar o cão a não puxar a guia com o Método Clicker. Antes de iniciar o treinamento você vai precisar de um Clicker. O Clicker em si é uma peça de plástico com uma lingueta de metal por dentro que quando pressionada produz um som agudo (Click). Existem também outras opções que você pode usar como Clicker. Um apito e até mesmo um estalo com os dedos podem ser usados como Clicker. O click é apenas um sinal para o cão de que ele está fazendo a coisa certa e que será recompensado por isso.
Interrompa o passeio temporariamente se o cão puxar a guia. Conecte a guia e segure a alça em sua mão com firmeza junto ao seu corpo, como se ela estivesse presa em você.
Comece a andar em linha reta com seu cão incentivando-o a andar. Se ele lhe seguir sem puxar a guia, continue andando, clique e recompense-o com carinho ou petiscos durante o passeio. Se seu cão começar a puxar, pare, permaneça imóvel, não olhe e nem fale com ele. Assim que afrouxar a guia, reinicie o passeio.
Repita algumas vezes até ele entender que se ele puxar a guia o passeio é interrompido.
Mude de direção se o cão puxar a guia. Conecte a guia e segure a alça em sua mão com firmeza junto ao seu corpo, como se ela estivesse presa em você.
Comece a andar em linha reta com seu cão incentivando-o a andar. Se ele lhe seguir sem puxar a guia, continue andando, clique e recompense-o com carinho ou petiscos ocasionalmente durante o passeio. Fique bem atento e se perceber que ele vai começar a puxar a guia, mude de direção girando seu corpo fazendo uma volta de 180 graus no sentido oposto ao que ele está puxando antes que a guia se estique totalmente. Essa mudança repentina irá impedir o cão de conseguir alcançar o seu destino te arrastando pela guia. O cão vai perceber que o passeio sempre muda de direção quando ele puxa a guia.
Repita o exercício algumas vezes até que ele entenda que se puxar a guia o passeio muda de direção.
Como podem ver, o mais importante é que o cão conheça o limite da guia e respeite-o sem puxar. Passear sem puxar deve ser algo natural para o cão. Deixe seu cão fazer as coisas que ele gosta de fazer quando passeia, como farejar odores no chão, nas árvores, no ar.
O importante é você não deixar a guia tensa e nem ficar dando broncas e trancos na guia. A guia deve permanecer sempre frouxa. O cão pode andar do seu lado direito, esquerdo, um pouco atrás ou a frente. O que ele não pode fazer é puxar a guia. Andar junto é um outro exercício onde o cão deve seguir o dono sempre do seu lado esquerdo e bem próximo a sua perna.
OURIÇO CACHEIRO, QUE BICHO É ESSE?
Certamente você já deve ter ouvido “meu cão mordeu um ouriço cacheiro” ou “um ouriço cacheiro jogou espinhos no meu cão”. Esse mamífero de hábito noturno e coberto por espinhos pontiagudos, desperta interesse nos cães que vivem próximo às matas. Existem várias espécies espalhadas pelo mundo, e algumas pessoas o mantém como animal de estimação. No Brasil, por se tratar de um animal silvestre, essa prática é proibida.
O ouriço mede de 25 a 30 centímetros e alimenta-se se insetos, aves pequenas, cobras venenosas e pequenos mamíferos. Não é agressivo mas, sentindo-se ameaçado, ele encolhe a cabeça e pés, e seu corpo se transforma numa bola de espinhos. Os cães, desavisados do perigo, tentam abocanhar o ouriço.
Os espinhos do ouriço podem medir de 2 a 7 centímetros de comprimento e atravessam facilmente a pele dos animais. Os cães que tentam caçar ou brincar com um ouriço, apresentam dezenas de espinhos encravados na boca, língua e lábios. Esses afiados espinhos também podem perfurar as patas.
O ouriço não possui veneno. A dor causada pelas múltiplas perfurações é o bastante para desestimular seus predadores. Uma vez atingido, é necessário sedação ou até mesmo anestesia geral para retirar todos os espinhos, principalmente da região interna da boca. É um procedimento que precisa ser realizado em clínica veterinária. Embora o encontro com um ouriço seja bastante doloroso para o cão, muitos deles “esquecem” do perigo e voltam a abocanhar o animal. Os mais espertos, nunca mais chegarão perto.
OTITES
Otite é o processo inflamatório do ouvido. O ouvido normal de um cão não apresenta odor, e a quantidade de cerúmen pequena. Os sinais de alteração podem ser coçar ou esfregar a orelha no chão, balançar a cabeça ou pendê-la para um dos lados. O animal pode chorar ou ameaçar morder se tentamos acariciá-lo próximo da orelha. O cheiro nos ouvidos é ruim.
As otites mais profundas, otites internas, podem afetar o equilíbrio e o sinal mais evidente é o andar com a cabeça “pendendo” para o lado do ouvido afetado.
As causas da otite
Infecciosa: causada por bactérias e, geralmente, acompanhada de pus. Às vezes, é difícil de ser tratada e necessita de exames complementares, como coleta da secreção para análise e determinação do antibiótico que deve ser usado (cultura e antibiograma). Esses tipos de otite, quando “mal curadas”, ocasionam um quadro crônico e cada vez mais difícil de ser resolvido.
Parasitária: causada por ácaros. É muito comum encontrarmos excesso de cera de cor marrom muito escura, O cão coça bastante as orelhas. O ácaro que acomete o conduto auditivo não é o mesmo que causa a sarna de pele. Ele é transmitido entre cães e gatos, mas não para o homem. A recidiva desse tipo de otite é comum se o animal frequenta ambientes contaminados.
Fungos: é similar à otite bacteriana. Apenas o exame da secreção do ouvido poderá diferenciar o microrganismo causador.
Seborreica: Alguns cães produzem muito cerúmen e o mesmo não é eliminado. O acúmulo do material vai causar fermentação, o que leva ao mau cheiro e posterior inflamação dos ouvidos.
Umidade: alguns cães têm o hábito de nadar, e a entrada de água nos ouvidos certamente causará inflamação. A penetração de água no conduto auditivo durante o banho é uma frequente causa de otite.
Predisposição racial: raças que tem orelhas longas e peludas têm maior probabilidade de terem otite. Orelhas caídas abafam os ouvidos e não permitem a circulação do ar (aeração), condição que favorece a multiplicação de bactérias
O tratamento da otite irá depender muito da causa. Evitar fatores como umidade, excesso de pelos e o gotejamento desnecessário de medicamentos no conduto, irão diminuir a incidência de otites. Uma das frequentes causas de falha no tratamento é o procedimento incorreto na hora de instilar o medicamento no ouvido do cão. Os remédios devem ser aplicados de acordo com as orientações do médico veterinário.
A limpeza dos ouvidos pode ser semanal ou junto com os banhos. Não use cotonetes ou instile medicamentos, pois pode haver irritação e inflamação com esses procedimentos. Um chumaço de algodão, embebido em uma pequena quantidade de álcool, é o suficiente para a limpeza externa dos ouvidos. Limpar os ouvidos semanalmente é a maneira eficaz de controlar e detectar as otites.
OS ANIMAIS E PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS
O uso de animais em tratamentos e terapias de reabilitação e acessibilidade é uma técnica utilizada historicamente desde 400 a.C. Mesmo depois de séculos de existência, muitas pessoas ainda desconhecem os benefícios na melhoria da qualidade de vida dos portadores de necessidades especiais. As técnicas da equoterapia, utilização do cavalo em práticas terapêuticas, ou do cão-guia, por pessoas com deficiência visual, por exemplo, já ajudaram milhares de pessoas, no Brasil e no mundo.
Cão-Guia – o cão-guia vem ganhando cada dia mais adeptos entre as pessoas com deficiência visual. Uma das defensoras dessa causa é a advogada Thaís Martines, que chegou a ser barrada no metrô de São Paulo, em 2006 e ganhou a permissão de caminhar com seu cão pelo metrô, por meio de um processo na 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo. “Hoje, não só as leis estão melhores como também há conscientização entre as pessoas. Já cheguei a ser barrada em lugares por causa do meu cão, mas outras pessoas presentes insistiram na permanência do animal no recinto. Isso mostra que a população está mais consciente”, comenta a advogada, que ficou cega devido a uma caxumba aos quatro anos.
Ela ministra palestras sempre acompanhada de seu cão Boris, um labrador que a acompanha há 7 anos. “O Boris é a realização de um sonho de criança. Antigamente era muito difícil ter cão guia. Fico feliz de esse acesso estar mais fácil hoje”, afirma.
A advogada, que está a frente do Instituto Íris desde 2004, uma entidade sem fins lucrativos que trabalha no processo de inclusão social de pessoas portadoras de deficiência visual, cita que as pessoas ainda acreditam que ter um cão guia é caro, o que não é verdade. “No Instituto Íris, nós não cobramos nada pelo cão, nem pelo treinamento”, complementa Thaís. No Brasil, há apenas 50 cães guias, o que é considerado muito pouco, quando comparado com números de outros países. Cerca de 2% da população mundial, com algum tipo de deficiência, utiliza o cão, segundo informações do próprio Instituto Íris. Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia mostram que há 1,2 milhões de cegos no País, o que significaria 12 mil pessoas com cão guia, mas chegamos perto de 0,2% apenas.
Equoterapia – A equoterapia chegou ao Brasil em 1993. Um dos precursores da técnica foi o Dr. Luiz Antônio Arruda Botelho, médico fisiatra da Fundação Selma, uma instituição sem fins lucrativos que oferece tratamento gratuito para pessoas com limitações físicas por meio do contato direto entre homem e animal. “O tratamento ajuda no equilíbrio do tronco, na musculatura, além de favorecer a integração do atendido”, salienta o médico.
Animais Silvestres – Outra instituição que está se aplicando na acessibilidade de deficientes é a Fundação Parque Zoológico de São Paulo. O Parque vem passando por uma profunda reforma, desde o fim de 2006, para receber pessoas com deficiência. Os sanitários já foram reformados, a fim de facilitar o acesso a cadeirantes. “O próximo passo agora é reformular a entrada e as vias do parque”, esclarece a direção do parque. Em 2006, mais de 8.184 pessoas com deficiência visitaram o zoológico, uma média de 682 por mês. O zoológico pretende ampliar o acesso e a inclusão social de pessoas com deficiência visuais e de locomoção, ao mundo selvagem.